Sinal dos tempos!

A primeira rodada da Copa do Mundo chegou ao fim. No meio da festa, das surpresas e do contagiante povo sul-africano, a decepção: o futebol. Temos até o momento a pior média de gols da história das Copas, com 1,56 gols de média por partida. Baixíssima, se compararmos com 2,21 gols por jogo da 2ª pior média, obtida na Itália em 1990. Traduzindo em números, tivemos até agora 25 gols em 16 partidas. Dentre todos os jogos, estamos assistindo a shows consecutivos de estratégias defensivas. Pra mim, isso tem duas causas principais – a covardia dos técnicos e a escassez de jogadores de nível.

Há 16 anos, o Brasil ganhava a Copa do Mundo dos EUA jogando um futebol burocrático, defensivo, dependente dos lampejos do craque Romário, bem diferente do que o mundo estava acostumado a ver quando se tratava da seleção penta campeã. Deu certo e, desde então, o futebol de resultado vem pouco a pouco sendo enraizado na cabeça de nós brasileiros. As justificativas sempre giram em torno do absurdo, como a heresia em diminuir a mágica equipe de 1982 que caiu no chamado ‘Desastre do Sarriá’ para enaltecer os comandados de Parreira em 1994, que saíram campeões. Hoje, os mesmos torcedores que aplaudiram de pé o time campeão há 16 anos, assiste boquiaberto com o fenômeno negativo que está ocorrendo na África do Sul.

A cada jogo que passa na Copa do Mundo desse ano, fico com a impressão que estão acabando com o futebol. Como pode, dentre 32 seleções, ver apenas uma jogar bem? É raro ver uma jogada trabalhada, um lance com um toque de ousadia, um lançamento longo jogado no peito do companheiro, um chute bem dado… enfim, uma jogada de mestre. Os times estão cada vez mais abdicando do jogo, ficando praticamente os 90 minutos se defendendo, torcendo para que num lance de sorte, o gol apareça. Resultado? Das dezesseis partidas jogadas, seis delas terminaram em 1×0 e APENAS três tiveram mais de 3 gols.

Como bem diz Vanderlei Luxemburgo, ‘o medo de perder tira a vontade de vencer’. E os técnicos covardes da atualidade estão se especializando cada vez mais em armar retrancas. O que tivemos hoje no jogo entre Espanha x Suiça, com um ferrolho suiço, é digno de pararmos pra pensar seriamente no futuro do futebol. Esporte esse que é apaixonante justamente pelo inesperado, pela ausência de certezas, pela emoção e pela plástica de algumas jogadas que podem decidir tudo até o último segundo. Com equipes que jogam com 11 jogadores dentro da área, muito disso se perde. E a consequência é o que estamos vendo na terra do apartheid, onde aguardávamos algo diferente do que tem sido comum nos quatro cantos do planeta, principalmente porque os maiores jogadores da atualidade estão quase todos lá.   

Essa busca desesperada pelo resultado também afeta a formação de novos talentos. Jogadores que hoje são considerados semi-deuses, como Cristiano Ronaldo, Kaká e Messi, há 10 anos seriam apenas ótimos jogadores, coadjuvantes de Ronaldo, Zidane, Romário e muitos outros. Craque que é craque não some quando enverga a camisa da seleção. Pelo contrário. A desculpa que não tem tempo pra treinos é balela. Ou você acha que algum dia foi diferente o período de treinos das seleções?

Abaixo dos verdadeiros gênios, tínhamos os excelentes jogadores, como Pavel Nedved, Rivaldo, Bergkamp, Baggio, Laudrup, Stoichkov, Papin etc etc etc.. eram muitos! Hoje os coadjuvantes já praticamente não existem. Atualmente eles são os medíocres, afinal a escada diminuiu um degrau, que é onde ficavam os gênios. Nos times do mundo todo, facilmente vemos o camisa 10 cerebral, carregador de pianos, ser deixado de lado em troca de um volante marcador, que joga em diversas posições, polivalente como gostam de dizer. Desafio qualquer leitor a me dizer um time que tenha um camisa 10 que pense o jogo, que jogue de cabeça erguida e não erre uma sequência de passes curtos durante toda a partida. Pois é, não existe. Eles estão ficando cada vez mais raros, fruto dos esquemas cada vez mais defensivos e eficientes, mas que tiram o brilho do esporte. Não existe mais equipe que jogue com dois meias armadores, por pior que sejam eles. O número de jogadores do meio pra frente está diminuindo e a tendência é continuarmos a deixar possíveis craques apenas na esperança de vir a ser um grande jogador. A solução é torcermos doentemente para que o futebol ofensivo volte a vencer. Porque senão, ao que tudo indica, estamos vivendo o início do fim.

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Abraços!

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2 responses to this post.

  1. Posted by Marcussi on 18/06/2010 at 7:30 pm

    Fala buja!!!!

    o blog está legal! Aguardo anciosamente uma postagem sobre o jogo dos EUA, empatou de maneira duvidosa!! Passaram a mão nos americanos!
    abraçs

    Responder

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