Archive for the ‘Futebol em geral’ Category

E Neymar ‘venceu’ a batalha….

Dorival Junior não é mais técnico do Santos. Em reunião na noite desta terça feira, a diretoria santista alegou insubordinação e demitiu o treinador que comandou a equipe que encantou o Brasil no primeiro semestre. Venceu a marra, a arrogância e o salto alto de Neymar. Ponto pra ele. E muitos pontos pro Dorival.

Dorival sai do Santos de cabeça erguida. Sai demitido, mas sem deixar de acreditar nos seus princípios, que deveriam ser regra entre os técnicos de futebol. Foi desrespeitado em rede nacional e tratou Neymar, uma das maiores estrelas hoje no Brasil, como trataria qualquer outro jogador. Se o atleta errou, tem que pagar, independente do status ou do talento. E Dorival se arriscou, sabendo do risco que corria de ficar desempregado, em troca de não perder o comando do restante do grupo. Foi homem, bateu de frente com a diretoria e bancou o que disse. Foi mandado embora, mas saiu do Santos mais valorizado do que chegou. Fez um excelente trabalho, como já havia feito anteriormente pelas equipes que passou. Mas foi além ao tentar colocar a maior jóia do nosso futebol nos trilhos. Palmas pra você, Dorival. Ganhou o meu respeito e o de milhões de brasileiros.

Já ao Neymar, cada vez tenho mais desprezo pela pessoa que é. Aos 18 anos, sem ter ganho nada na vida ainda, se acha muito mais do que realmente é. Chego a ter pena, pois esse pode ser o início do fim de uma carreira que tem tudo pra ser brilhante pelo talento que tem o rapaz. Deveria se espalhar em grandes ídolos que são referência em humildade, como Roberto Carlos do Corinthians, que já ganhou tudo que poderia – tanto em termos de títulos quanto de dinheiro – e continua esbanjando simpatia. O que vem acontecendo nos gramados em que o Santos pisa é lamentável. E um time que vinha ganhando a simpatia por onde passava, começa a despertar um sentimento de raiva pelo Brasil afora.

Há cerca de dois meses, escrevi um post sobre esse jovem jogador, já criticando algumas de suas atitudes. E parece que, conforme o tempo passa, as coisas só pioram. Após o episódio da última quarta, que desencadeou toda essa polêmica, Renê Simões, técnico do Atlético-GO definiu bem o que pode vir pela frente. Num tom sereno, afirmou que ‘estão criando um monstro’ ao permitirem tamanha liberdade a Neymar. Não é porque ele é um jogador muito acima da média que também é alguém superior a qualquer outro ser humano. Infelizmente, a demissão de Dorival Junior só vem reforçar o que disse Renê. Se com comando o jovem já passou dos limites, imaginem o que não vem pela frente agora que ele percebeu que é o dono do time!

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Abraços!

Mata-mata é fundamental! (Reedição)

Este foi o primeiro texto que fiz pro blog e até hoje continua sendo um dos mais lidos. Por isso, vou reeditar para que quem ainda não leu possa ler, aproveitando essa pausa que estou sendo obrigado a dar aqui ultimamente. Divirtam-se!

Que me desculpem os defensores dos pontos corridos, mas o mata-mata é fundamental!

Brasileiro tem a velha mania de criticar insistentemente tudo que é nacional e endeusar aquilo que vem de fora. E, em se tratando desse esporte, isso deveria ser crime. Afinal, quem é o país do futebol? Nós ou eles? Quem é que joga – ou pelo menos jogou ao longo da história – um futebol bonito, vistoso, pra frente? Quem é que revela tantos craques para o esporte mais popular do mundo como o Brasil? Pois é, ninguém! E mesmo assim insistem em imitar os europeus, quando o contrário é que deveria ser a realidade.

O brasileiro é cego, facilmente levado pela opinião alheia. Não consegue enxergar o quão bem nos faz um jogo eliminatório, o quanto isso mexe com a gente. O maior exemplo disso é o são paulino como este que vos escreve. Desafio algum torcedor a me dizer que sofreu, chorou e comemorou como nunca qualquer uma das 3 últimas conquistas do Brasileiro. A resposta será não. E isso se deve principalmente à ausência do medo. Do temor de ser eliminado, de tomar um gol no final, de ter que correr atrás do resultado contra outra grande equipe porque é aquele jogo que vale. Ali, naquele e somente naquele instante, onde a técnica prevalece sobre o planejamento, o elenco e todas as outras baboseiras que ouvimos tanto nos dias de hoje, é que que se vive a emoção do futebol. Como diz um outro blogueiro – e eu concordo com ele -, o campeão tem que ganhar do vice e não do 17º colocado com o time reserva e desmotivado. Tem que ganhar do melhor, do rival, do adversário que valorize a sua vitória. É disso que brasileiro gosta, mas infelizmente nao percebe.

O maior exemplo ocorreu há poucos dias. Há quanto tempo não tínhamos uma sequência de jogos eliminatórios tão fantástica como a que estamos tendo ultimamente? A emoção que Corinthians x Flamengo, São Paulo x Cruzeiro, Santos x Grêmio e agora Internacional x São Paulo vem causando nos mostra o quanto sentimos falta de confrontos que realmente valem alguma coisa. Voltando à pergunta feita ao torcedor são paulino, gostaria de alterar uma parte dela pra que respondam novamente: no jogo contra o Universitário do Peru pela Libertadores desse ano, você sofreu, vibrou? Você santista, no épico jogo contra o Grêmio pela Copa do Brasil, comemorou até não poder mais, vibrou ou simplesmente desligou a tv após o jogo e foi dormir?  Pois foi isso o que aconteceu com a grande maioria dos campeões por pontos corridos, o campeonato conta gotas, aquele que você ganha rodada a rodada e todos os jogos tem o mesmo peso. Ele tirou o tesão do torcedor em esperar a semana toda por um jogo decisivo, tirou a insônia da véspera da partida. Enfim, tirou a essência do futebol brasileiro.

Muitos podem argumentar que os pontos corridos representam justiça. Concordo e jamais vou dizer o contrário. Porém, desde que eu acompanho esse esporte, jamais futebol e justiça caminharam lado a lado. É exatamente esse o ponto que o torna apaixonante e diferente dos demais. E é uma pena que pouquíssimos consigam enxergar….

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Abraços…

Que fase!

Se existem fases também para um treinador, não tenho dúvidas em afirmar que Vanderlei Luxemburgo passa pelo pior momento de sua carreira. Detentor de um currículo vitorioso, considerado um dos maiores técnicos da história do país e único a estar entre os TOP3 há 20 anos, Luxa vive seu inferno astral particular no Atlético Mineiro.

O Galo de Minas, que acabou de ser derrotado em casa* pelo Inter, é o primeiro time fora da zona de rebaixamento, mas com um jogo a mais que as 4 equipes que estão atrás na tabela. Traduzindo em números, são 7 derrotas em 10 jogos. O curioso disso tudo é que há muitos anos o Atlético não montava uma equipe tão forte como essa. Quem olha do goleiro ao ponta esquerda, levando em conta a situação dos times no Brasil, logo apontaria o galo como um dos candidatos ao título. Um time com Fábio Costa, Réver, Junior, Ricardinho, Diego Souza, Daniel Carvalho, Tardelli, Obina e o jovem Neto Berola não pode jamais brigar na ponta de baixo da classificação.

Desde que eu acompanho futebol – e consequentemente Luxemburgo -, nunca tinha visto ele passar por uma situação parecida, tendo muita dificuldade pra conseguir fazer uma equipe forte jogar. Alguns vão dizer que ele não fez nada no Palmeiras em 2008/2009, mas esquecem que foi ele quem deu o título paulista depois de quase 10 anos sem conquistas da equipe palestrina. Todos que passaram por lá fracassaram. Pra piorar, Luxa havia prometido um título de proporção nacional a uma das mais fanáticas torcidas, e acredito que o Mineiro desse ano não será suficiente. Nas entrevistas após os jogos, Vanderlei tem dito que o time vem jogando bem. Posso estar enganado, mas não tenho a mesma visão que ele. Pra começar a ser competitivo, o Atlético Mineiro precisará melhorar muito a sua parte tática e técnica. Até porque, jogador é o que não falta pra ele.

Pensando por cima, podem existir diversos fatores pra tal má fase, como desinteresse na continuidade de sua carreira – como já demonstrou algumas vezes nos últimos anos-, problemas pessoais e muitos outros. O fato é que se Luxemburgo não acordar logo, amargará sua terceira demissão consecutiva, fato inédito em seu vitorioso ciclo no futebol.  Para alguém com um currículo tão glorioso, essa seria uma mancha irreparável em sua carreira, principalmente quando a mesma parece dar sinais de que o fim está próximo.

*O Atlético jogou na Arena do Jacaré devido ao fechamento do Mineirão para obras.

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Abraço!

Antecipação da janela: certo ou errado?

A notícia da antecipação da janela da CBF caiu como uma bomba no noticiário dessa segunda-feira por todo país. Após negar veementemente há uma semana, a confederação voltou atrás e, através da FIFA, liberou desde ontem a inscrição dos jogadores vindos do exterior, quando a data oficial seria em 03 de Agosto.

A minha opinião a respeito do tema é um pouco conflitante. Sempre achei que a janela ser aberta em Agosto era um exagero, visto que a temporada na Europa termina no fim de Maio e a partir de então as equipes nacionais já começam a contratar. Isso resulta em cerca de 2 meses de pagamentos de salários e tudo mais aos jogadores sem que eles pudessem jogar. E deixar pra assinar com o atleta perto da abertura seria um risco, porque os bons jogadores provavelmente já teriam clube. Porém, a forma como foi feita a liberação não foi das melhores.  Assim, em cima da hora, mudando o regulamento dos campeonatos, lembra os velhos tempos da famosa virada de mesa. O futebol do país, que estava com a credibilidade em alta após sucessivos rebaixamentos de times grandes, volta a dar um passo atrás.

Pensando agora nos clubes, vejo um chororô excessivo, principalmente pelos lados do São Paulo, que se julga prejudicado. Já acostumado com a postura arrogante da diretoria tricolor, não vejo motivos para tanto escândalo. A janela foi aberta para TODAS as equipes e se o São Paulo achou melhor não contratar, o problema é exclusivamente dele. A desculpa de que um jogador seria trazido, mas somente para o dia 03 é balela, afinal, ninguém planeja contratar jogadores de última hora. Quando se faz, são casos pontuais que surgem no mercado, como por exemplo Amoroso em 2005. Portanto, o choro é livre, mas lamentável. Sorte do Inter, que foi competente a ponto de trazer 3 grandes jogadores para a sequência da Libertadores.

Agora não adianta mais discussão. A janela já foi aberta, a maioria dos jogadores já estão inscritos e muitos estrearão hoje. Resta à CBF ser mais justa e anunciar ao final desta temporada que, a partir do próximo ano, a liberação será feita mais cedo. Dessa forma, não deixará margens para reclamações de que time X foi favorecido e o Y prejudicado. E, sem sombra de dúvidas, o passo atrás dado ontem será recuperado.

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Abraço!

O Muricy voltou…

Amantes do anti-futebol, comemorem! Após 2 meses da contratação de Muricy Ramalho pelo Fluminense, finalmente a equipe carioca ganhou a cara de seu treinador. Jogando uma bolinha típica dos times que treina, o ex técnico palmeirense conseguiu um ótimo resultado na Vila Belmiro, ao vencer o Santos por 1×0. Antes que comecem a me criticar, gostaria de deixar claro que Muricy é muito competitivo, mas me irrita profundamente com seu modo de enxergar futebol.

Alguns técnicos gostam de levar jogadores de confiança pros times que vão treinar. Muricy gosta de levar seu estilo de jogo e jamais abre mão dele, independente das peças que possui em mãos. Capaz de armar retrancas intransponíveis, consegue ganhar a maioria das partidas pelo placar mínimo, cumprindo o objetivo de sair com os 3 pontos. A estratégia é a mesma utilizada por clubes pequenos quando vão enfrentar grandes times. Em primeiro lugar, evitar o gol adversário. Após isso, se possível, achar um gol em um dos raros ataques pra matar o jogo. O ‘problema’ é que fazer isso quando se tem jogadores de alto nível, seu time fica praticamente imbatível, mesmo sem jogar bola. Porém, todo esquema tem seu lado negativo. Em jogos eliminatórios, cuja ocasião obriga as equipes a atacar, os jogadores sentem uma dificuldade muito grande na hora de agredir o adversário. E foi exatamente isso que aconteceu no São Paulo durante 3 anos. Nos pontos corridos, imbatível. Na Libertadores e Paulistão, não conseguia ser competitivo nas fases decisivas.

Particularmente, o estilo de Muricy não me agrada. Obviamente, muitos torcedores preferem vencer em primeiro lugar e é aí que ele se torna ídolo, como foi no tricolor paulista. Muricy dá resultado sim, mas tira o tesão do torcedor. No começo é tudo maravilhoso, pois é raro perder. Só que o tempo vai passando e o cara que fica roendo a unha percebe que a emoção, principal combustível desse esporte, deixa de existir quando o time que você torce joga assim. O motivo? Com uma defesa que não deixa passar nada e um ataque inoperante, que chega 2 ou 3 vezes por jogo, a bola fica a maior parte do tempo entre o meio campo e sua grande área. A bola na trave, salva em cima da linha, aquela pressão nos minutos finais, tudo isso não existe por causa do pragmatismo desse esquema.

Alguns de vocês já devem ter reparado que nos times de Muricy, os volantes sempre tem papéis muito importantes. Analise que geralmente laterais não jogam com ele. Nos respectivos lugares, o que vemos são volantes, pois estes possuem uma capacidade de marcação muito maior que meros laterais. Reparem também que estes jamais chegam à linha de fundo. Os cruzamentos saem todos da intermediária, já que é muito mais rápido recompor a defesa tendo que correr 20/25 metros a menos. Houve jogos no São Paulo em que o time estava armado com 5 volantes em campo, mesmo jogando num esquema de 3 zagueiros. Agora conte comigo: 3 na zaga, mais 5 volantes, sendo 3 no meio e 2 nas laterais e o goleiro. São 9 jogadores pra evitar o gol e apenas 2 entre o meio campo e o ataque pra tentar matar o jogo. Isso é o ápice do anti-jogo.

Durante muito tempo no Morumbi, Muricy foi chamado de discípulo de Telê Santana. Com estilos de jogo completamente diferentes, eu custo a entender o motivo desta comparação. No máximo, o mau humor característico de ambos. Na beira do campo, completamente o oposto. Uma frase de Telê após uma vitória magra com péssimo futebol (contra o Cruzeiro se não me engano) resume bem essa diferença: “Eu prefiro perder jogando bonito a ganhar desse jeito.” Já Muricy, com a conquista de títulos, passou a ser blindado e poucas críticas são feitas ao seu trabalho. Perguntem pra qualquer torcedor dos times por onde ele passou. Dificilmente é adorado após sair. Agora, é a vez do torcedor do tricolor carioca passar por isso. Eu espero queimar minha língua, pois o Flu está montando uma equipe capaz de jogar muita bola e ir além de apenas se defender. Enfim, só o tempo vai dizer se Muricy vai realmente merecer estar no hall da fama dos grandes técnicos brasileiros, mesmo porque só pegou times com grandes jogadores até o momento. Enquanto isso, o mestre Telê, como era carinhosamente chamado, deve estar se revirando no túmulo.

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Abraço!

Futebol à moda antiga…

A Copa chegou ao seu final no último domingo, mas eu particularmente fiquei com uma sensação estranha. Esse evento, que ocorre a cada quatro anos, sem dúvida é o mais esperado por todos no esporte mais popular do mundo. Porém, o que vimos na África do Sul foi algo muito abaixo das expectativas. Será que realmente valeu a pena esperar esse tempo todo desde a Alemanha 2006 pra vermos o que foi apresentado? Vamos por partes.

O futebol apresentado foi péssimo. Do azarão ao favorito, ninguém enxeu os olhos. A seleção que chegou mais perto disso foi – pasmem! – a Alemanha, cuja característica sempre foi a força. Nem mesmo o Brasil e a Holanda, campeões em jogo bem jogado e muito menos a campeã Espanha. O que mais se viu foram as equipes priorizando as defesas, tentando acertar um contra ataque e ‘golear’ por 1×0.  O futebol de resultado contagiou de sul-americanos à europeus, de asiáticos à africanos, sem esquecer da Oceania e do resto das Américas. Parece um vírus, que contagia a todos a cada vitória suada ou título na marra. A estratégia historicamente utilizada pelos pequenos agora virou tática dos grandes também. E dá certo, porque conta com ótimos jogadores pra evitar levar gols. Infelizmente, os técnicos descobriram uma forma mais fácil de achar o resultado. E do outro lado, os torcedores vão ganhando motivos pra deixar de ser apaixonado.

Grande parte do que foi comentado acima também tem grande responsabilidade dos craques de hoje em dia. Em tempos de Cristianos, Messis e Kakás, quem brilhou foi Forlán. O que fez o camisa 10 da seleção uruguaia foi um tapa na cara de cada um desses pseudo-craques do futebol moderno. Forlán mostrou a todos que vestir a camisa de seu país não é uma obrigação, mas uma honra. Sendo o principal atleta da seleção da Celeste, correu, lutou, deu sangue, não se omitiu e levou seu time nas costas até o espetacular 4º lugar para uma seleção desacreditada e limitada. Chamou a responsabilidade de modo que todos os astros deveriam fazer. Só esqueceram de avisá-los. Infelizmente, personalidade não está à venda da mesma forma que o passe de Kaká ou a imagem de Cristiano Ronaldo. Forlán jogou com a garra do futebol romântico, por amor à camisa e, com toda justiça, foi eleito o Bola de Ouro da Copa. Seria tudo lindo se não fosse o fato do jogador uruguaio ter 31 anos de idade, nunca ter sido destaque por onde passou e ter feito a carreira em equipes de médio porte da Europa, com uma breve e apagada passagem pelo Manchester United. Hoje, vive grande fase no Atlético de Madri. E só. Mesmo assim, conquistou o respeito do mundo todo. Parabéns Forlán, acima de tudo você honrou a camisa da Celeste, mas não deixou de ensinar como é que se faz quando se é protagonista.

Infelizmente o futebol que nos encanta não voltará mais. Os negócios finalmente chegaram ao futebol e é utopia pensar em um futuro diferente do que vemos hoje. Esqueçam e principalmente, se acostumem, porque daqui pra frente o futebol de resultado será o prato principal. Quanto à sobremesa, só nos resta torcer para que ela não seja devorada rápida demais e ainda nos dê o prazer de sua graça.

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Abraço!

O time que preferiu morrer a perder

Estava lendo outro dia este texto muito interessante que faz parte da história do futebol mundial e decidi compartilhar com vocês. É uma verdadeira lição pra todos nós. Espero que gostem!

“A história do futebol mundial inclui milhares de episódios emocionantes e comovedores, mas seguramente nenhum seja tão terrível como o protagonizado pelos jogadores do Dinamo de Kiev nos anos 40. Os jogadores jogaram um partida sabendo que se ganhassem seriam assassinados e, no entanto, decidiram ganhar. Na morte deram uma lição de coragem, de vida e honra, que não encontra, por seu dramatismo, outro caso similar no mundo.

Para compreender sua decisão, é necessário conhecer como chegaram a jogar aquela decisiva partida, e por que um simples encontro de futebol apresentou para eles o momento crucial de suas vidas.

Tudo começou em 19 de setembro de 1941, quando a cidade de Kiev (capital ucraniana) foi ocupada pelo exército nazista, e os homens de Hitler aplicaram um regime de castigo impiedoso e arrasaram com tudo. A cidade converteu-se num inferno controlado pelos nazistas, e durante os meses seguintes chegaram centenas de prisioneiros de guerra, que não tinham permissão para trabalhar nem viver nas casas, assim todos vagavam pelas ruas na mais absoluta indigência. Entre aqueles soldados doentes e desnutridos, estava Nikolai Trusevich, que tinha sido goleiro do Dinamo.

Josef Kordik, um padeiro alemão a quem os nazistas não perseguiam, precisamente por sua origem, era torcedor fanático do Dinamo. Num dia caminhava pela rua quando, surpreso, olhou um mendigo e de imediato se deu conta de que era seu ídolo: o gigante Trusevich.

Ainda que fosse ilegal, mediante artimanhas, o comerciante alemão enganou aos nazistas e contratou o goleiro para que trabalhasse em sua padaria. Sua ânsia por ajudá-lo foi valorizado pelo goleiro, que agradecia a possibilidade de se alimentar e dormir debaixo de um teto. Ao mesmo tempo, Kordik emocionava-se por ter feito amizade com a estrela de sua equipe.

Na convivência, as conversas sempre giravam em torno do futebol e do Dinamo, até que o padeiro teve uma idéia genial: encomendou a Trusevich que em lugar de trabalhar como ele, amassando pães, se dedicasse a buscar o resto de seus colegas. Não só continuaria lhe pagando, senão que juntos podiam salvar os outros jogadores.

O arqueiro percorreu o que restara da cidade devastada dia e noite, e entre feridos e mendigos foi descobrindo, um a um, a seus amigos do Dinamo. Kordik deu trabalho a todos, se esforçando para que ninguém descobrisse a manobra. Trusevich encontrou também alguns rivais do campeonato russo, três jogadores da Lokomotiv, e também os resgatou. Em poucas semanas, a padaria escondia entre seus empregados uma equipe completa.

Reunidos pelo padeiro, os jogadores não demoraram em dar o seguinte passo, e decidiram, alentados por seu protetor, voltar a jogar. Era, além de escapar dos nazistas, a única que bem sabiam fazer. Muitos tinham perdido suas famílias nas mãos do exército de Hitler, e o futebol era a última sombra mantida de suas vidas anteriores.
Como o Dinamo estava enclausurado e proibido, deram um novo nome para aquela equipe. Assim nasceu o FC Start, que através de contatos alemães começou a desafiar a equipes de soldados inimigos e seleções formadas no III Reich.

Em sete de junho de 1942, jogaram sua primeira partida. Apesar de estarem famintos e cansados por terem trabalhado toda a noite, venceram por 7 a 2. Seu seguinte rival foi a equipe de uma guarnição húngara, ganharam de 6 a 2. Depois meteram 11 gols numa equipa romena. A coisa ficou séria quando em 17 de julho enfrentaram uma equipe do exército alemão e golearam por 6 a 2. Muitos nazistas começaram a ficar chateados pela crescente fama do grupo de empregados da padaria e buscaram uma equipe melhor para ganhar deles. Trouxeram da Hungria o MSG com a missão de derrotá-los, mas o FC Start goleou mais uma vez por 5 a 1, e mais tarde, ganhou de 3 a 2 na revanche.

Em seis de agosto, convencidos de sua superioridade, os alemães prepararam uma equipe com membros da Luftwaffe, o Flakelf, que era uma grande time, utilizado como instrumento de propaganda de Hitler. Os nazistas tinham resolvido buscar o melhor rival possível para acabar com o FC Start, que já gozava de enorme popularidade entre o sofrido povo refém dos nazistas. A surpresa foi grande, porque apesar da violência e falta de esportividade dos alemães, o Start venceu por 5 a 1.

Depois dessa escandalosa queda do time de Hitler, os alemães descobriram a manobra do padeiro. Assim, de Berlim chegou uma ordem de acabar com todos eles, inclusive com o padeiro, mas os hierarcas nazistas locais não se contentaram com isso. Não queriam que a última imagem dos russos fosse uma vitória, porque acreditavam que se fossem simplesmente assassinados não fariam nada mais que perpetuar a derrota alemã.

A superioridade da raça ariana, em particular no esporte, era uma obsessão para Hitler e os altos comandos. Por essa razão, antes de fuzilá-los, queriam derrotar o time em um jogo.

Com um clima tremendo de pressão e ameaças por todas as partes, anunciou-se a revanche para 9 de agosto, no repleto estádio Zenit. Antes do jogo, um oficial da SS entrou no vestiário e disse em russo:

– “Vou ser o juiz do jogo, respeitem as regras e saúdem com o braço levantado”, exigindo que eles fizessem a saudação nazista.

Já no campo, os jogadores do Start (camisa vermelha e calção branco) levantaram o braço, mas no momento da saudação, levaram a mão ao peito e no lugar de dizer: – “Heil Hitler!”, gritaram – “Fizculthura!”, uma expressão soviética que proclamava a cultura física.

Os alemães (camisa branca e calção negro) marcaram o primeiro gol, mas o Start chegou ao intervalo do segundo tempo ganhando por 2 a 1.

Receberam novas visitas ao vestiário, desta vez com armas e advertências claras e concretas:

– “Se vocês ganharem, não sai ninguém vivo”. Ameaçou um outro oficial da SS. Os jogadores ficaram com muito medo e até propuseram-se a não voltar para o segundo tempo. Mas pensaram em suas famílias, nos crimes que foram cometidos, na gente sofrida que nas arquibancadas gritava desesperadamente por eles e decidiram, sim, jogar.

Deram um verdadeiro baile nos nazistas. E no final da partida, quando ganhavam por 5 a 3, o atacante Klimenko ficou cara a cara com o arqueiro alemão. Deu lhe um drible deixando o coitado estatelado no chão e ao ficar em frente a trave, quando todos esperavam o gol, deu meia volta e chutou a bola para o centro do campo. Foi um gesto de desprezo, de deboche, de superioridade total. O estádio veio abaixo.

Como toda Kiev poderia a vir falar da façanha, os nazistas deixaram que saíssem do campo como se nada tivesse ocorrido. Inclusive o Start jogou dias depois e goleou o Rukh por 8 a 0. Mas o final já estava traçado: depois dessa última partida, a Gestapo visitou a padaria.

O primeiro a morrer torturado em frente a todos os outros foi Kordik, o padeiro. Os demais presos foram enviados para os campos de concentração de Siretz. Ali mataram brutalmente a Kuzmenko, Klimenko e o arqueiro Trusevich, que morreu vestido com a camiseta do FC Start. Goncharenko e Sviridovsky, que não estavam na padaria naquele dia, foram os únicos que sobreviveram, escondidos, até a libertação de Kiev em novembro de 1943. O resto da equipe foi torturada até a morte.

Ainda hoje, os possuidores de entradas daquela partida têm direito a um assento gratuito no estádio do Dinamo de Kiev. Nas escadarias do clube, custodiado em forma permanente, conserva-se atualmente um monumento que saúda e recorda àqueles heróis do FC Start, os indomáveis prisioneiros de guerra do Exército Vermelho aos quais ninguém pôde derrotar durante uma dezena de históricas partidas, entre 1941 e 1942.

Foram todos mortos entre torturas e fuzilamentos, mas há uma lembrança, uma fotografia que, para os torcedores do Dinamo, vale mais que todas as jóias em conjunto do Kremlin. Ali figuram os nomes dos jogadores.

Na Ucrânia, os jogadores do FC Start hoje são heróis da pátria e seu exemplo de coragem é ensinado nos colégios. No estádio Zenit uma placa diz “Aos jogadores que morreram com a cabeça levantada ante o invasor nazista.”

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