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Mundial com asterisco?

Depois de longos 6 meses de espera, Inter x Chivas começaram a decidir a grande final da Taça Libertadores da América. Jogando um futebol de gente grande, o Colorado venceu por 2×1 lá no México e agora joga por um empate no Gigante da Beira Rio. Vale lembrar que o time mexicano só está nessa final graças ao surto da gripe suina em 2009, que fez com que a equipe ganhasse uma vaga na edição deste ano do torneio.

Deixando o jogo de lado, a questão que eu quero tratar é a respeito da classificação do Inter para o Mundial de Clubes, independente da conquista do título na próxima semana. Isso se dá em função da vaga da Libertadores ser destinada a um país da América do Sul e o Chivas não tem esse pré-requisito.  Se o Inter for campeão, ótimo. Todo esse burburinho se cala e os gaúchos disputarão o Mundial pelos próprios méritos. Agora se perder, será o primeiro representante a disputar o torneio de verdade sem ter conquistado seu continente e toda a discussão em torno do tema virá à tona. Nem preciso comentar o quão lamentável eu acho essa situação. Agora eu pergunto: pra que deixar chegar a este ponto? Pra quem não sabe o motivo disso tudo, vou explicar em detalhes. 
Ao longo dos anos, a Libertadores sempre mudou sua fórmula de disputa pra se adaptar aos tempos. Lá nos anos 60, quando o Santos a conquistou por 2 vezes, apenas 9 times participavam e a fase final era disputada em uma série melhor de 3. Hoje em dia já são 38 participantes, que resulta numa queda de nível tremenda. O Brasil por exemplo, pode por até 6 equipes na disputa, enquanto a Venezuela – pasmem! – coloca 3 representantes. Sabendo dessa queda de nível, a Conmebol, especialista em fazer besteiras, decidiu convidar as ricas equipes mexicanas, que contam com jogadores bons e que poderiam fazer frente a brasileiros e argentinos. Mas eis que surgiu a dúvida: qual a vantagem que os times de lá levariam ao disputar o torneio sul-americano se não poderiam ter a vaga no Mundial? Isso mesmo, meus amigos: a vantagem seria financeira. 

Agora, pela segunda vez em 10 anos (quando se iniciou a participação dos mexicanos), eles chegam na final e correm o risco de colocar um asterisco no Mundial da Fifa. Na primeira, em 2001, o Boca não deu chance ao Cruz Azul e conquistou a Libertadores. Muito provavelmente o Inter também vencerá, mas e se perder? Será que vale a pena ser contestado até o fim de seus dias por um eventual título que não é merecido? Claro que pro torcedor vale e pro clube principalmente, até porque o prêmio é monstruoso. Em 2009, o campeão do mundo levou US$ 5 mi, enquanto o vice embolsou a bagatela de US$ 4 mi. Mas não tenho dúvidas que seria um tapa na cara de toda essa corja se o Inter eventualmente batesse no peito e não aceitasse disputar como vice. Com certeza não o farão, até porque não são loucos.

Enquanto isso, nós, meros torcedores, somos feitos de bobo dia após dia. Continuamos pagando ingressos caros, estacionamentos tão salgados quanto, não temos conforto nem segurança, vemos nossos melhores atletas indo embora pra jogar em mercados de qualidade duvidosa e mesmo assim somos passados pra trás de certa forma. O futebol, cujo saudosismo ficou num passado distante, teoricamente teria como objetivo servir como uma válvula de escape para o povo, uma forma de lazer. Infelizmente, os interesses comerciais do mundo moderno desvirtuam cada vez mais o esporte mais popular do planeta. Azar o nosso!

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Abraço!

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